Acentuação quebrada na importação — a culpa é da codificação
Cedilha virando caractere estranho no histórico do lançamento é sintoma de um problema só: o arquivo OFX foi gravado em UTF-8 quando o sistema esperava Windows-1252. O que isso significa e como evitar.
O sintoma é inconfundível: o extrato importa, os valores estão certos, mas o histórico dos lançamentos vira sopa de caracteres — “transferência”, “serviço”, “débito”. Nada quebrou de verdade, e é justamente por isso que o problema passa: a importação conclui sem erro e o estrago fica gravado nos lançamentos.
O que aconteceu
Todo arquivo de texto é gravado numa codificação — a tabela que diz qual sequência de bytes representa qual caractere. Para o alfabeto sem acento, as codificações coincidem e tudo funciona. A divergência aparece exatamente nos caracteres do português: ç, ã, é, ô.
O formato OFX na família 1.x — a que os bancos brasileiros geram — nasceu na era do Microsoft Money, e o ecossistema em volta dele consolidou a codificação Windows-1252: um byte por caractere, incluindo os acentuados. Já o padrão dominante da web e das ferramentas modernas é o UTF-8, que grava os acentuados em dois bytes.
Quando um arquivo gravado em UTF-8 é lido por um sistema que espera Windows-1252, cada caractere acentuado de dois bytes é interpretado como dois caracteres de um byte. O “ê” vira “ê”. É uma tradução feita com o dicionário errado — determinística, silenciosa e sem aviso.
Por que isso acontece justamente com OFX
Porque o OFX 1.x é texto simples e convida à manipulação. Alguém abre o arquivo para corrigir uma data, salva no editor — que grava em UTF-8 por padrão — e o arquivo continua válido na estrutura, mas trocado na codificação. Ferramentas de conversão genéricas cometem o mesmo erro na origem: geram o OFX em UTF-8 porque é o padrão moderno, sem considerar quem vai ler.
O detalhe cruel: o cabeçalho do OFX 1.x até declara a codificação
(CHARSET:1252), mas nem todo leitor confere, e nem todo gerador escreve o
cabeçalho coerente com os bytes que gravou.
Como evitar
- Não edite OFX em editor de texto comum — e, se precisar, confira em qual codificação ele salvou.
- Desconfie da origem do arquivo. Se a acentuação quebra sempre com arquivos de uma mesma ferramenta, a ferramenta gera UTF-8.
- Teste com um lançamento acentuado antes de importar o ano inteiro.
O Convertou grava todo OFX em Windows-1252, com o cabeçalho coerente — porque o destino do arquivo é a tela de importação de sistemas como o Domínio, e é essa codificação que preserva o histórico exatamente como o extrato o imprime. É um detalhe invisível quando está certo, e inesquecível quando está errado.
Para o contexto completo do formato, veja o que é o OFX.