Lançamentos duplicados na importação — de onde vêm e como evitar
Importar o mesmo período duas vezes, misturar OFX com integração automática, linhas de saldo lidas como movimento: as origens documentadas da duplicidade e o papel do FITID.
Duplicidade é o segundo defeito mais irritante de uma importação de extrato — o primeiro é o lançamento perdido, mas a duplicidade tem um agravante: ela costuma ser descoberta depois de conciliada pela metade, quando desfazer dá mais trabalho do que fazer.
As origens são poucas e bem documentadas. Vale conhecê-las porque cada uma tem uma prevenção diferente.
1. O mesmo período, importado duas vezes
O caso óbvio, e o que os sistemas tratam de formas opostas. O Domínio simplesmente bloqueia: tentar importar um período que já tem extrato devolve “não foi importado nenhum lançamento”, e reimportar exige excluir o anterior antes. Já no Conta Azul a importação concluída não pode ser desfeita — a correção documentada é arquivar os lançamentos errados e importar de novo. Dois modelos diferentes, uma mesma lição: saber o que já foi importado é responsabilidade de quem importa.
2. OFX manual em conta com integração automática
O caso documentado pela própria Conta Azul: numa conta com integração bancária automática, importar OFX por cima pode duplicar — porque o banco às vezes descreve o mesmo lançamento com data ou texto diferentes nos dois canais, e o sistema não consegue casá-los. A prevenção é escolher um canal por conta: ou a integração cuida dela, ou o arquivo cuida.
O padrão vale em geral: dois caminhos alimentando a mesma conta é receita para duplicidade em qualquer sistema.
3. Linhas que parecem lançamento, mas não são
A duplicidade que nasce antes da importação, dentro do próprio arquivo. No Itaú, linhas de saldo do dia têm a mesma forma de um lançamento — um conversor ingênuo as inclui, e os valores dobram. No PagBank, linhas de “Saldo do dia” se intercalam com o movimento real. Na Stone, a coluna de saldo acompanha grupos de operações. Um arquivo com essas linhas “a mais” é um arquivo com débitos e créditos duplicados — e é o tipo de defeito que a conferência de saldo denuncia na hora, porque a conta não fecha.
O guardião silencioso: FITID
Dentro do OFX, cada lançamento carrega um FITID — um identificador único da
transação. É com ele que um bom importador reconhece “este lançamento eu já
tenho” mesmo quando o mesmo arquivo é enviado duas vezes. O Domínio o exige
explicitamente; um OFX sem FITID, ou com FITIDs repetidos, desarma essa
proteção. É um dos campos que conferimos ao gerar cada arquivo.
A rotina que evita tudo isso
- Um canal por conta — integração automática ou arquivo, nunca os dois.
- Períodos fechados, sem sobreposição — do dia 1 ao 30, e o próximo arquivo começa no 1º seguinte.
- Confira o saldo antes de importar — se o arquivo tem linhas duplicadas, a aritmética denuncia.
- Conheça o comportamento do seu sistema — os guias de Domínio, Conta Azul e Omie documentam o que cada um faz com reimportação.